Eco Bras II – Programa da Disciplina

ECO-036 – Economia Brasileira Contemporânea II

2o Semestre 2017

Prof. Gustavo Barros

https://gustavo.barros.nom.br/

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Objetivos do curso

Este curso visa oferecer uma visão geral da história econômica do Brasil desde a crise da dívida externa, no início da década de 1980, até o período recente. Na esteira da crise da dívida, a economia brasileira foi levada a um processo de desaceleração e de fortes desequilíbrios – incluindo tanto uma deterioração fiscal quanto, sobretudo, um agudo processo inflacionário – resultando na chamada “década perdida”. O país respondeu a essa crise através da realização de um expressivo conjunto de reformas, concentradas ao longo da década de 1990, dentre as quais se destacam a estabilização monetária, a abertura comercial e financeira e as privatizações. Esse esforço reformista levou a importantes transformações na economia brasileira, tanto do ponto de vista do seu funcionamento interno quanto de suas relações com o exterior. Através dessa mudança de modelo de desenvolvimento a economia brasileira pôde reduzir as distorções econômicas mas, por outro lado, não tem conseguido retomar o ritmo de crescimento que caracterizou o modelo anterior.

Em paralelo a esse processo de transformação da economia brasileira, observamos no período importantes mudanças na economia mundial e, portanto, no ambiente no qual a economia brasileira se insere. Destas amplas transformações destacam-se o processo de globalização, em suas dimensões comercial, produtiva e financeira, e a ascensão da China no cenário internacional.

O curso está estruturado em quatro partes. As três primeiras organizadas de maneira mais cronológica, enquanto a última adota uma abordagem temática. O eixo central do curso está no estudo do conjunto de reformas realizado ao longo do período – a crise como seu antecedente e uma de suas grandes motivações – e na caracterização da economia brasileira que emerge após esse esforço reformista. O curso procura também elaborar tanto a diversidade de interpretações e abordagens sobre o período quanto as diversas dimensões desse processo histórico de transformação. Nesse sentido, de forma articulada a esse eixo central, elaboraremos ao longo do curso temas e questões como: a condução da política econômica, a situação das contas externas, o pensamento econômico, as dimensões política e social do processo, o cenário internacional entre outros. Entre os temas contemporâneos de que trataremos estão a inserção internacional da economia brasileira, a questão da desigualdade e das políticas sociais e, por fim, algumas considerações sobre as nossas perspectivas de desenvolvimento.

Leituras e acompanhamento do curso

O curso baseia-se na combinação de aulas expositivas, discussão em sala de aula e leitura da bibliografia indicada. As atividades em sala de aula e a leitura dos textos são estritamente complementares, e devem ser desenvolvidas paralelamente pelo(a) aluno(a). Sem a leitura da bibliografia indicada, a compreensão adequada das aulas expositivas e a participação em sala de aula ficam prejudicadas. Por outro lado, o objetivo das aulas expositivas é justamente mapear os aspectos principais da bibliografia em discussão, facilitando assim a adequada compreensão dos textos. A leitura da bibliografia indicada, portanto, deve ser feita ao longo do curso e em paralelo com as aulas correspondentes, e não “em bloco” na iminência das provas.

A bibliografia específica de cada item do programa está indicada abaixo. Os itens anotados com asterisco são considerados bibliografia mínima para o acompanhamento das aulas. Porém, toda a bibliografia listada é recomendada.

Programa

Parte I – A crise dos anos 1980

  1. Antecedentes da crise

  • Teixeira (1993, cap. II, p. 32-57)*

  • Gremaud et all. (2012, cap. 19, p. 517-523)

  • Carneiro, “Crise e esperança: 1974-1980”, em Abreu (1990, cap. 11, p. 295-322)

  • Cruz (1983)

  1. Política de ajustamento

  • Carneiro e Modiano, “Ajuste externo e desequilíbrio interno: 1980-1984”, em Abreu (1990, cap. 12, p. 323-346)*

  • Cruz (1984, p. 69-92)*

  • Castro (1985, item 3, p. 48-72)

  • Tavares e Assis (1985, cap. IV, p. 69-88)

Parte II – Inflação e planos de estabilização

  1. Caracterização do processo inflacionário

  • Resende (1986)*

  • Lopes (1986)*

  • Simonsen (1985)*

  • Bresser-Pereira e Nakano (1984)

  1. Planos de estabilização

  • Plano Cruzado

    • Modiano, “A ópera dos três Cruzados: 1985-1990”, em Abreu (2014, cap. 14, itens 3 a 5, p. 285-297)*

    • “Artigos na imprensa sobre o Plano Cruzado” (1986)*

    • “A Crise do Plano Cruzado” (1987)

  • Planos Bresser e Verão

    • Modiano, “A ópera dos três Cruzados: 1985-1990”, em Abreu (2014, cap. 14, itens 6 a 10, p. 297-312)*

    • Bresser-Pereira (1988)

  • Plano Collor

    • Simonsen (1990)*

    • Abreu e Werneck, “Estabilização, abertura e privatização, 1990-1994”, em Abreu (2014, cap. 15, p. 313-319)

    • Bresser-Pereira e Nakano (1991)

  • Plano Real

Parte III – A década das reformas e o período recente

  1. Críticas à industrialização por substituição de importações

  1. Neoliberalismo e Consenso de Washington

  • Fiori (1996)*

  • Fiori, “Os moedeiros falsos”, em Fiori (1997, p. 11-21)

  1. Privatização

  • Pinheiro, “Privatização no Brasil: Por quê? Até onde? Até quando?” em Giambiagi e Moreira (1999, p. 147-182)*

  • Baer (2009, cap. 13, p. 305-333)

  1. Abertura comercial e financeira, reestruturação industrial

  1. O governo FHC

  • Giambiagi, “Estabilização, reformas e desequilíbrios macroeconômicos: Os anos FHC (1995-2002)”, em Giambiagi et al. (2005, cap. 7, p. 166-195)*

  • Werneck, “Consolidação da estabilização e reconstrução institucional, 1995-2002”, em Abreu (2014, cap. 16, p. 331-356)

  1. O governo Lula

  • Giambiagi, “Rompendo com a ruptura: O governo Lula (2003-2010)”, em Giambiagi et al. (2011, cap. 8, p. 197-237)*

  • Werneck, “Alternância política, redistribuição e crescimento, 2003-2010”, em Abreu (2014, cap. 17, p. 357-381)

  • Singer, “Avançando o New Deal brasileiro”, em IPEA (2011, p. 39-42)*

  • Anderson (2011)

Parte IV – Questões contemporâneas

  1. Inserção internacional

  • IPEA, “A inserção do Brasil em um mundo fragmentado: Uma análise da estrutura de comércio exterior brasileiro”, em IPEA (2010, Livro 3, vol. 2, cap. 9, p. 369-395)*

  • Gremaud et all. (2012, cap. 19, p. 523-535)

  • Ricupero, “Inserção internacional brasileira”, em Cardoso Jr. (2009, cap. 1, p. 15-47)

  1. Desigualdade, pobreza e políticas sociais

  • IPEA (2012)*

  • Ramos e Mendonça, “Pobreza e desigualdade de renda no Brasil”, em Giambiagi et all. (2005, cap. 14, p. 355-377)

  1. Perspectivas de desenvolvimento

Avaliação

A avaliação constará de duas provas em sala de aula e da realização de quatro verificações de leitura ao longo do curso. Cada uma das provas comporá 40% da nota final e o conjunto das verificações de leitura os 20% restantes. Haverá uma prova de segunda chamada ao final do curso cobrindo toda a matéria, para aqueles que eventualmente tenham perdido uma das provas, por qualquer motivo. A segunda chamada será destinada apenas aos alunos que efetivamente tenham perdido alguma das provas.

Os textos que serão objetos de verificação de leitura, com as respectivas datas de encerramento de prazo, são os seguintes (para a referência completa, veja a bibliografia abaixo):

  • Verificação de leitura 1, até 21/ago: Simonsen (1985)

  • Verificação de leitura 2, até 6/set: Batista Jr. (1996)

  • Verificação de leitura 3, até 18/out: Fiori (1996)

  • Verificação de leitura 4, até 15/nov: Anderson (2011)

Observações:

  • As verificações de leitura serão feitas na plataforma de educação à distância da UFJF (Moodle), cujo acesso se dá através do Siga (http://siga.ufjf.br/).

  • Cada verificação de leitura é composta de 20 questões V/F e tem duração de até 2h. A consulta ao texto é permitida e até mesmo estimulada. Mas o estudo prévio do texto é necessário, mesmo que você precise retornar a ele durante a realização da avaliação.

  • Cada uma das verificações de leitura estará aberta por pelo menos três dias corridos, com os prazos se encerrando nas datas acima (cheque os horários exatos na plataforma).

  • Estas avaliações tem o propósito de ser o que o nome diz: uma verificação de leitura, vale dizer, o que ela procura avaliar é a sua leitura e compreensão do conteúdo do texto indicado. Portanto, se um determinado item é “verdadeiro” ou “falso” deve ser decidido por você pelo critério do que o texto indicado afirma, ou não afirma. E não de um ponto de vista mais geral, ou na opinião de uma outro autor ou pessoa qualquer.

  • Durante a duração da avaliação, você poderá retornar e revisar as suas respostas. Mas uma vez submetida a avaliação ao sistema, as respostas não poderão mais ser alteradas.

Site

Eu usarei o meu site (http://gustavo.barros.nom.br) para me comunicar com vocês. Este será o nosso canal de comunicação para todas as necessidades além da aula. De forma que você deve acompanhar os posts e avisos que eu farei lá.

Além dos posts e avisos, vocês encontram na página da disciplina (https://gustavo.barros.nom.br/disciplinas/2017-2o-economia-brasileira-ii/) uma série de materiais complementares (vídeos, documentários etc) que trata de assuntos correlatos aos que discutiremos ao longo do curso e pode ser do interesse de vocês.

Bibliografia

Abreu, Marcelo de Paiva (Org.). A Ordem do progresso: Cem anos de política econômica republicana, 1889-1989. Rio de Janeiro: Campus, 1990.

Abreu, Marcelo de Paiva (Org.). A Ordem do progresso: Dois séculos de política econômica no Brasil. 2a ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014.

Anderson, Perry. O Brasil de Lula. Novos Estudos – CEBRAP, n. 91, nov. 2011. p. 23-52.

Artigos na imprensa sobre o Plano Cruzado. Revista de Economia Política, v. 6, n. 3, p. 121-51, julho-setembro 1986.

Baer, Werner. A Economia brasileira. 3. ed. rev., ampl. e atual. São Paulo: Nobel, 2009.

Batista Jr., Paulo Nogueira. O Plano Real à luz da experiência mexicana e argentina. Estudos Avançados, 10 (28), p. 127-97, 1996.

Bielschowsky, Ricardo. Estratégia de desenvolvimento e as três frentes de expansão no Brasil: Um desenho conceitual. Texto para discussão IPEA, n. 1828. Brasília, Rio de Janeiro: Ipea, 2013.

BresserPereira, Luiz Carlos. Os dois congelamentos de preços no Brasil. Revista de Economia Política, v. 8, n. 4, p. 48-65, out-dez 1988.

BresserPereira, Luiz Carlos; Nakano, Yoshiaki. Fatores aceleradores, mantenedores e sancionadores da inflação. Revista de Economia Política, v. 4, n. 1, p. 5-21, janeiro-março 1984.

BresserPereira, Luiz Carlos; Nakano, Yoshiaki. Hiperinflação e estabilização no Brasil: O primeiro Plano Collor. Revista de Economia Política, v. 11, n. 4, p. 89-113, out-dez 1991.

Cardoso Jr., José Celso (Org.). Desafios ao desenvolvimento brasileiro: Contribuições do conselho de orientação do Ipea. Brasília: Ipea, 2009. (Série Eixos Estratégicos do Desenvolvimento Brasileiro, Livro 1).

Castro, Antonio Barros de. Ajustamento x transformação, A economia brasileira de 1974 a 1984. In: Castro, Antonio Barros de; Souza, Francisco Eduardo Pires de. A economia brasileira em marcha forçada. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1985.

(A) Crise do Plano Cruzado, Revista de Economia Política, v. 7, n. 2, p. 131-49, abril-junho 1987.

Cruz, Paulo Davidoff. Notas sobre o endividamento externo brasileiro nos anos setenta. In: Belluzzo, Luiz Gonzaga de Mello; Coutinho, Renata (Orgs.).Desenvolvimento capitalista no Brasil: Ensaios sobre a crise. v. 2, São Paulo: Brasiliense, 1983. p. 59-106.

Cruz, Paulo Davidoff. O endividamento externo e as políticas governamentais. In: Dívida externa e política econômica: A experiência brasileira nos anos setenta. São Paulo: Brasiliense, 1984. Cap. 2. p. 28-92.

Erber, Fabio S. Convenções de desenvolvimento no Brasil contemporâneo: Um ensaio de economia política. Textos para Discussão CEPAL-IPEA, 13. Brasília: CEPAL/IPEA, 2010.

Ferraz, João Carlos; Kupfer, David; Iooty, Mariana. Competitividad industrial en Brasil – 10 años después de la liberalización. Revista de la CEPAL, 82, p. 91-119, Abril 2004.

Fiori, José Luís. Consenso de Washington. Palestra proferida no Centro Cultural Banco do Brasil em 04/09/1996.

Fiori, José Luís. Os moedeiros falsos. 4a ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1997.

Giambiagi, Fabio; Villela, André; Castro, Lavínia Barros de; Hermann, Jennifer (Orgs.). A Economia brasileira contemporânea (1945-2004). 1. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005.

Giambiagi, Fabio; Villela, André; Castro, Lavínia Barros de; Hermann, Jennifer (Orgs.). A Economia brasileira contemporânea (1945-2010). 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011.

Giambiagi, Fábio; Moreira, Maurício Mesquita (Orgs.). A Economia brasileira nos anos 1990. Rio de Janeiro: BNDES, 1999.

Gremaud, Amaury Patrick; Vasconcellos, Marco Antonio Sandoval de; Toneto Jr., Rudinei. Economia brasileira contemporânea. 7. ed., São Paulo: Atlas, 2012.

Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). Inserção internacional brasileira. Brasília: Ipea, 2010. (Série Eixos Estratégicos do Desenvolvimento Brasileiro, Livro 3, 2 v.).

Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). Traçando novos rumos: o Brasil em um mundo multipolar. Brasília: Ipea, 2011.

Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). A Década Inclusiva (2001-2011): Desigualdade, Pobreza e Políticas de Renda. [S.l.]: Ipea, 25 de setembro de 2012. (Comunicados do IPEA, n. 155).

Krueger, Anne O. Trade Policy and Economic Development: How We Learn. The American Economic Review, vol. 87, n. 1, p. 1-22, Mar. 1997.

Lopes, Francisco. Inflação inercial, hiperinflação e desinflação: Notas e conjecturas. In: ______. O Choque heterodoxo: Combate à inflação e reforma monetária. Rio de Janeiro: Campus, 1986. p. 121-43.

Macario, Santiago. Proteccionismo e industrialización en América Latina. Boletín Económico de América Latina, Vol. IX, 1964. p. 63-102.

Pastore, Affonso Celso; Pinotti, Maria Cristina. Inflação e estabilização: Algumas lições da experiência brasileira. Revista Brasileira de Economia, 53 (1), p. 3-40, jan-mar 1999.

Pastore, Affonso C.; Pinotti, Maria C.; Pagano, Terence A. Limites ao crescimento. XXII Fórum Nacional, Rio de Janeiro, 2010.

Resende, André Lara. A moeda indexada: uma proposta para eliminar a inflação inercial. In: Rego, José Márcio (Org.). Inflação inercial, teorias sobre inflação e o Plano Cruzado. 2. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986. p. 149-58.

Simonsen, Mário Henrique. A inflação brasileira: Lições e perspectivas. Revista de Economia Política, v. 5, n. 4, p. 15-30, outubro-dezembro 1985.

Simonsen, Mário Henrique. Aspectos técnicos do Plano Collor. In: Faro, Clovis de (Org.). Plano Collor: Avaliações e perspectivas. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos Editora, 1990. p. 113-28.

Tavares, Maria da Conceição; Assis, José Carlos de. O Grande salto para o caos: A economia e a política econômica do regime autoritário. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1985.

Teixeira, Aloisio. O Ajuste impossível (Um estudo sobre a desestruturação da ordem econômica mundial e seu impacto sobre o Brasil). Tese (Doutorado) – Unicamp, Campinas, 1993.

 

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